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O APAGÃO FEZ DESPERTAR UMA LUZ NA MEMÓRIA!

 

No dia 10 de novembro tivemos um grande “apagão” em 10 cidades diferentes espalhadas pelo Brasil, eu havia acabado de sair do meu encontro de Crisma na Paróquia N.S. do Carmo aqui em Itaquera, e no exato momento de entrar em casa aconteceu...

Como de costume achei que fosse algo passageiro e ao entrar em casa fui logo perguntando para a “patroa” pela janta pois estava varado de fome como dizia uma determinada personagem de novela...e ao entrar em casa encontrei minha esposa com uma vela na mão e arrumando a cama, todo animadinho logo imaginei uma noite romântica porém para minha decepção os reais motivos da vela acesa tinha mais haver com arrumar a cama para dormir do que com um jantar romântico a luz de velas e logo tratei de apagar o facho e matar a fome.
Ao perguntar pela janta, já quase dormindo ela me respondeu:
- Ta no microondas!

Ótimo logo percebi que quando se está com muita fome come-se até pedra, sentei no sofá e a luz de velas degustei minha saborosa janta que de tão fria parecia ter acabado de sair do congelador, foi então que comecei a refletir sobre determinadas coisas.

A cena era extremamente romântica que chegava a ser cômica afinal lá estava eu sentado sozinho no sofá e pela primeira vez jantando sem está na frente da tv, ouvindo rádio, ou checando e-mails entre uma garfada e outra.

Confesso que estava ansioso para que a luz voltasse afinal  do meu lado direito lá estava o fiel e poderoso “controle remoto” pronto para ser apertado ao menor sinal de energia, mas como o apagão já durava mais que de costume comecei a imaginar como as pessoas eram felizes nos tempos de antigamente.
 
Quando não havia energia tenho certeza que as famílias se reuniam na mesa para jantar fosse a luz de velas ou de cândeeiro como dizem no nordete, e mesmo sem o tal microondas a comida se conservava quentinha no bom e velho fogão de lenha, com certeza não seria como nos dias de hoje que em muitas famílias enquanto o pai está jantando na companhia do controle remoto deitado na cama passeando pelos canais de esportes,  a mãe está na tv da sala com o prato de comida na mão acompanhando a novela ou um desses programas de reality show que estão em moda, no quarto lá está o filho que engoliu a comida as pressas pois tinha que ir para o computador verificar o tal do Orkut, conversar com os amigos no MSN, ou jogar na Internet.

Antigamente com certeza as preocupações eram menores, afinal ninguém se preocupava com o fato de ter perdido o último capítulo da novela por falta de energia, se a roupa vai continuar suja no dia seguinte porque a máquina de lavar não pode ser ligada, ou se vamos trabalhar de roupa amassada pois o ferro elétrico também não funciona, além de muitas vezes os filhos acharem mais interessante a companhia do vídeo game e do computador do que a dos próprios pais.

Um amigo me ligou hoje querendo saber se havia acabado a luz aqui em Itaquera, ao informar que sim ele me disse.

- Eu ia te ligar ontem a noite,  mas o telefone da minha casa é sem fio e não pega sem energia, pensei em te mandar um e-mail mas sem energia o computador não liga, então fui até a padaria tomar uma cerveja mas a padaria estava fechada porque o dono ficou com medo de assalto pois a rua estava toda escura, então quando cheguei em casa minha mulher já estava dormindo e eu não tinha com quem conversar, fui dormir sem tomar banho pois a água do chuveiro estava fria, quase perdi a hora de ir trabalhar porque o despertador ficou com a hora errada quando a luz voltou.

Comecei a rir e lhe respondi, pois é meu bom e velho amigo, tudo seria mais fácil se não fossemos escravos da tal “energia elétrica”, afinal milhares de pessoas ficaram trancadas em congestionamentos devido aos faróis que não funcionavam, ônibus elétricos que pararam no meio das avenidas, metrô e trem que não podiam seguir viagem, sem contar as pessoas que apavoradas pediam socorro presas em elevadores... este é preço do progresso.

Então me lembrei das histórias que minha Avó me contava do seu tempo de infância, quando sua única diversão era tomar banho de açude, ouvir os contos narrados pelos mais velhos em volta da fogueira, caminhar léguas para ir dançar forró no meio da estrada escura com medo apenas dos personagens folclóricos como mula sem cabeça, lobisomem, e tantos outros, como ela dizia naquele tempo podíamos dormir de portas e janelas abertas, que era para tomar a fresca na hora de dormir, se ela fosse viva com certeza não teria coragem de nos dias de hoje deixar nem portas nem janelas abertas no meio da escuridão, afinal os bandidos de hoje não são como os de antigamente, basta esquecer um portão aberto que lá estão eles prontos para o ataque, não respeitam as câmeras, os alarmes e nem se quer se preocupam se é dia ou noite.

Como diria um desses personagens inventados pela TV “um salve” para a tecnologia pelas facilidades que ela nos proporciona e outro “salve” para o apagão que durou o bastante para iluminar minha memória para uma nova realidade.

Já ia me esquecendo um "salve" também para minha amada esposa que mesmo depois de um duro dia de trabalho teve a preocupação de preparar minha janta que só não estava melhor porque esqueci que em casa também tem fogão onde poderia ter esquentado minha comidinha ;-). Fran - fran@itaquera.com.br


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